“O ouro da carnaúba é o artesanato” – Elisângela
A carnaúba (Copernicia prunifera), árvore característica do sertão nordestino, é também conhecida como “árvore da vida” por conta de seus múltiplos usos.
No topo da palmeira da carnaúba, fica o olho, a parte mais utilizada pelas artesãs da Associação. Após colher o olho, é necessário pôr para secar, bater para retirar o pó – parte muito cobiçada da árvore -, riscar na largura desejada, trançar e costurar. As fibras são util
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Endereço: Povoado Resolvido, s/n – Zona Rural de Campo Maior, · CEP 64280-000
Sobre as criações
A carnaúba (Copernicia prunifera), árvore característica do sertão nordestino, é também conhecida como “árvore da vida” por conta de seus múltiplos usos.
No topo da palmeira da carnaúba, fica o olho, a parte mais utilizada pelas artesãs da Associação. Após colher o olho, é necessário pôr para secar, bater para retirar o pó – parte muito cobiçada da árvore -, riscar na largura desejada, trançar e costurar. As fibras são utilizadas na coloração natural ou tingidas. Além do olho, usam as folhas, que são retiradas, riscadas finamente e depois costuradas com linha encerada ou fio imbira feito de tucum, produzindo uma fibra firme. Assim, com habilidade e esmero dão vida a bolsas, cestos, e tantos outros produtos. Veem com orgulho as peças prontas, ainda mais bonitas do que imaginadas.
Grande parte da produção é autoral, ou seja, cada artesã cria e produz alguns modelos de bolsa. Há, ainda, a produção da associação, que envolve todas as artesãs, de uma linha de cestos e uma linha de mesa, com sousplat, bacias, porta-copos, bandejas e descansos de panela. Quando a Associação recebe encomendas, as artesãs que dominam a produção das peças solicitadas, sejam bolsas ou peças utilitárias, auxiliam na produção umas das outras.
Sobre quem cria
Elisângela, que participou do projeto desde o diagnóstico, realizou um treinamento no Rio Grande do Norte, no qual retomou seus conhecimentos no trançado e costura da Carnaúba, e repassou os conhecimentos para as artesãs de Campo Maior e Piripiri. Nasceram, assim, os dois grupos de mulheres artesãs: Curicacas e Natupalhas.
“Andando pelos grupos, sempre tinha uma ou duas artesãs que já sabiam o trançado e a costura. Eu percebi que não estávamos introduzindo o artesanato, estávamos resgatando uma cultura” – Elisângela.
A presença constante de peças em trançado de carnaúba pela localidade, os utensílios do dia a dia como abanos e surrões (bolsa grande de palha, larga e funda, levada para roça para armazenar os produtos da colheita), levou as artesãs a entenderem que não se tratava de aprender uma técnica nova, mas de retomá-la, se apropriarem dela e a aprimorarem.
A partir da parceria com a Nordestesse e da designer Luly Vianna, nasceram as primeiras coleções, de decoração e utilitárias, sobretudo bolsas, com as identidades dos grupos.
A Associação, formalizada em 2024, atualmente é constituída por esses dois núcleos produtivos: Curicacas, que reúne artesãs de comunidades de Campo Maior e Altos; e Natupalhas, com artesãs de Piripiri e Capitão dos Campos. No total são cerca de 70 artesãs que se dividem pelas áreas rurais de diferentes comunidades, e trabalhavam majoritariamente nas suas casas. As localidades, distantes mais de uma hora, estão ligadas por um saber que é retomado e celebrado através do seu trabalho coletivo.
O grupo não possui uma sede, que está em fase de negociação com a Prefeitura de Campo Maior. Terá maquinário, estoque e um ambiente que possa recebê-las para distribuir pedidos e encomendas. É um grupo com um histórico recente e com um futuro promissor à sua frente.
“O ouro da carnaúba é o artesanato” – Elisângela ”
Localização
📍 Campo Maior / PI
Galeria
Crédito da foto: Dyego Lisboa