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Associação de Artesãs Carnaubeiras do Estado do Piauí (AMACEP)
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Associação de Artesãs Carnaubeiras do Estado do Piauí (AMACEP)

Campo Maior — PI

“O ouro da carnaúba é o artesanato” – Elisângela 

A carnaúba (Copernicia prunifera), árvore característica do sertão nordestino, é também conhecida como “árvore da vida” por conta de seus múltiplos usos. 

No topo da palmeira da carnaúba, fica o olho, a parte mais utilizada pelas artesãs da Associação. Após colher o olho, é necessário pôr para secar, bater para retirar o pó – parte muito cobiçada da árvore -, riscar na largura desejada, trançar e costurar. As fibras são util

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Endereço: Povoado Resolvido, s/n – Zona Rural de Campo Maior, · CEP 64280-000

Sobre as criações

“O ouro da carnaúba é o artesanato” – Elisângela 

A carnaúba (Copernicia prunifera), árvore característica do sertão nordestino, é também conhecida como “árvore da vida” por conta de seus múltiplos usos. 

No topo da palmeira da carnaúba, fica o olho, a parte mais utilizada pelas artesãs da Associação. Após colher o olho, é necessário pôr para secar, bater para retirar o pó – parte muito cobiçada da árvore -, riscar na largura desejada, trançar e costurar. As fibras são utilizadas na coloração natural ou tingidas. Além do olho, usam as folhas, que são retiradas, riscadas finamente e depois costuradas com linha encerada ou fio imbira feito de tucum, produzindo uma fibra firme. Assim, com habilidade e esmero dão vida a bolsas, cestos, e tantos outros produtos. Veem com orgulho as peças prontas, ainda mais bonitas do que imaginadas.  

Grande parte da produção é autoral, ou seja, cada artesã cria e produz alguns modelos de bolsa. Há, ainda, a produção da associação, que envolve todas as artesãs, de uma linha de cestos e uma linha de mesa, com sousplat, bacias, porta-copos, bandejas e descansos de panela. Quando a Associação recebe encomendas, as artesãs que dominam a produção das peças solicitadas, sejam bolsas ou peças utilitárias, auxiliam na produção umas das outras. 

Sobre quem cria

O projeto nasceu a partir da iniciativa do Ministério Público do Trabalho e foi executado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2022, com financiamento da organização alemã GIZ, com objetivo de propor soluções para combater o trabalho análogo a escravidão na colheita e beneficiamento da Carnaúba no interior do Piauí. Destinado a promover melhoria nas condições de trabalho dos carnaubeiros e suas famílias, foi proposto o resgate do artesanato tradicional com a palha de carnaúba para as mulheres das comunidades locais. Algumas delas trabalhavam na produção das vassouras feitas de palha de carnaúba para uso doméstico antes de participarem dos cursos de trançado oferecidos pelo projeto. 

Elisângela, que participou do projeto desde o diagnóstico, realizou um treinamento no Rio Grande do Norte, no qual retomou seus conhecimentos no trançado e costura da Carnaúba, e repassou os conhecimentos para as artesãs de Campo Maior e Piripiri. Nasceram, assim, os dois grupos de mulheres artesãs: Curicacas e Natupalhas. 

“Andando pelos grupos, sempre tinha uma ou duas artesãs que já sabiam o trançado e a costura. Eu percebi que não estávamos introduzindo o artesanato, estávamos resgatando uma cultura” – Elisângela.  

A presença constante de peças em trançado de carnaúba pela localidade, os utensílios do dia a dia como abanos e surrões (bolsa grande de palha, larga e funda, levada para roça para armazenar os produtos da colheita), levou as artesãs a entenderem que não se tratava de aprender uma técnica nova, mas de retomá-la, se apropriarem dela e a aprimorarem. 

A partir da parceria com a Nordestesse e da designer Luly Vianna, nasceram as primeiras coleções, de decoração e utilitárias, sobretudo bolsas, com as identidades dos grupos.  

A Associação, formalizada em 2024, atualmente é constituída por esses dois núcleos produtivos: Curicacas, que reúne artesãs de comunidades de Campo Maior e Altos; e Natupalhas, com artesãs de Piripiri e Capitão dos Campos. No total são cerca de 70 artesãs que se dividem pelas áreas rurais de diferentes comunidades, e trabalhavam majoritariamente nas suas casas. As localidades, distantes mais de uma hora, estão ligadas por um saber que é retomado e celebrado através do seu trabalho coletivo. 

O grupo não possui uma sede, que está em fase de negociação com a Prefeitura de Campo Maior. Terá maquinário, estoque e um ambiente que possa recebê-las para distribuir pedidos e encomendas. É um grupo com um histórico recente e com um futuro promissor à sua frente.  

“O ouro da carnaúba é o artesanato” – Elisângela ”

— Associação de Artesãs Carnaubeiras do Estado do Piauí (AMACEP)

Localização

📍 Campo Maior / PI

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Crédito da foto: Dyego Lisboa

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