“Não vejo o seu rostoVejo somente as mãosSeu vai e vem trançador constrói belezasE desafia a harmonia de um riscado secular.O destino do fio se faz no caminho do cordão.Ele é guia e sustentação das ideias da criação”.
Mostrar contatos
Preferência: preferencialmente via Whatsapp
Endereço: Praça Getúlio Vargas 149, · CEP 49650-000
Sobre as criações
O lacê, espécie de cordão sedoso e achatado, marca os caminhos que são preenchidos com a renda, resultando em pontos que recebem o nomes inspirados em suas formas como aranha de quarto partes, aranha de duas partes, abacaxi, cocada e sianinha, entre outros. Antes desse trabalho, é preciso riscar ou copiar em papel transparente o desenho, alinhavar o lacê sobre o risco, acompanhando as formas do desenho, fixar o papel com o lacê já alinhavado em pequena almofada e então preencher os espaços vazios entre o lacê, utilizando esses vários pontos (ao todo são mais de vinte possibilidades de tramas diferentes). Algumas peças são feitas apenas com a renda e outras são feitas com aplicação de renda em tecido, como o linho. As peças criadas que vão desde roupas de cama e mesa, até decoração, acessório e vestuário.
A técnica utilizada pelas rendeiras é conhecida como renda irlandesa ou ponto de Irlanda e o modo de fazer praticado pelas rendeiras de Divina Pastora foi incluído, em 2009, como Patrimônio Cultural do Brasil. Embora a renda irlandesa seja produzida em outros lugares em Sergipe, o município de Divina Pastora se tornou a principal referência da renda, pela forte apropriação popular do ofício.
Sobre quem cria
A Associação, que conta hoje com 60 mulheres, foi criada em 1998. A consolidação da Associação ASDEREN aconteceu em 2000, a partir de um trabalho com a Artesol de aprimoramento e ampliação da variedade de produtos, bem como de retomada de pontos que estavam esquecidos. Naquele momento, haviam apenas grupos informais de mulheres que trabalhavam com a renda. Hoje, o grupo de rendeiras conta com uma sede própria, onde se reúnem para produzir. O grupo já ganhou duas vezes o TOP100 do Sebrae e possui o selo de indicação geográfica do INPI, Instituto Nacional de Propriedade Industrial e Intelectual.
“Não vejo o seu rostoVejo somente as mãosSeu vai e vem trançador constrói belezasE desafia a harmonia de um riscado secular.O destino do fio se faz no caminho do cordão.Ele é guia e sustentação das ideias da criação”.RENDAS E RENDEIRAS: OFÍCIO DE ENCANTAR, DE AGLAÉ D’ÁVILA FONTES DE ALENCAR”
Sobre o território
No final da década de 1960, se deu início à exploração do petróleo que desencadeou mudanças importantes na zona do Cotinguiba, principalmente econômicas. Como não há indústrias nem investimentos na produção agrícola, os royalties pagos pela Petrobrás passaram a constituir importante fonte de recursos para o município.
Além dos canaviais, outros dois elementos estão muito presentes no imaginário que compõe o município de Divina Pastora: a produção de renda irlandesa e a peregrinação à Nossa Senhora, santa católica, que acontece todos os anos, no terceiro domingo do mês de outubro. Em romaria, os devotos caminham cerca de nove quilômetros, em veneração à santa, cuja imagem encontra-se na Igreja Matriz. Tombada em 1943 por sua relevância arquitetônica, a Igreja Basílica de Nossa Senhora Divina Pastora foi construída no final do século XVIII em estilo barroco. Sua história se entrelaça às histórias das rendeiras que tantas vezes fizeram renda para cumprir promessas, rendas que enfeitam o templo e compõem os rituais.
A renda Irlandesa se apresenta, assim, como um elemento cultural central para a cidade, pela sua força identitária e também por ser fonte de renda para muitas mulheres. Além disso, as rendas de Divina Pastora se destacam como importante atrativo turístico, junto a romaria e a Igreja Matriz.
Localização
📍 Divina Pastora / SE
Galeria
Crédito da foto: Nathalia Abdalla