A estiagem seguia por muitas luasE o capim se sentindo cansadoSeco e sem vidaFez uma oração ao sol, seu paiE pediu que na ausência da mãe chuva,Pudesse ao menos se sentir menos triste.O sol, em compaixão à dor de seu filho,lhe sussurrou um encantamentoque o tornou dourado como o próprio sol!O capim, então, se tornou o ouro do cerradosempre cheio de vida, de brilho, luz!
Endereço:
Av. Dr. Rubinho, Q. 29, Lote 11, Centro, · CEP 77605-000
Sobre as criações
A estiagem seguia por muitas luasE o capim se sentindo cansadoSeco e sem vidaFez uma oração ao sol, seu paiE pediu que na ausência da mãe chuva,Pudesse ao menos se sentir menos triste.O sol, em compaixão à dor de seu filho,lhe sussurrou um encantamentoque o tornou dourado como o próprio sol!O capim, então, se tornou o ouro do cerradosempre cheio de vida, de brilho, luz!
Os fios de capim dourado são costurados com a fibra fina das folhas de buriti, ambas espécies nativas do Brasil, próprias do cerrado. Dessa forma, as artesãs produzem grande diversidade de peças, como chapéus, cestos, vasos, mandalas, bandejas, biojoias, abajures e outros. A tradição do artesanato com o capim dourado, o “ouro do Jalapão”, foi passada pelos indígenas da etnia Xerente que no começo do século XX saíram caminhando pelo lado do Rio Araguaia e passaram pelo povoado quilombola Mumbuca e ensinaram alguns moradores a “costurar capim” com a seda de buriti. Desde então, esse saber se difundiu pela região, chegando a outras comunidades, como o Povoado da Prata, onde tem sido passado de geração para geração.
Sobre quem cria
A partir de 2000, com a facilitação do acesso das comunidades da região do Jalapão às cidades mais próximas, o governo do estado do Tocantins, através da Secretaria de Cultura, passou a incentivar o artesanato com o capim dourado. As peças, assim, passaram a circular em grandes centros urbanos, como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. A comunidade de Mumbuca recebeu oficinas com orientações para adequação dos produtos ao mercado e para a sua comercialização. A partir do trabalho realizado junto ao designer Renato Imbroisi, a comunidade criou novos produtos, o que redimensionou também o alcance do artesanato. Logo, a atividade chegou até as comunidades vizinhas, entre elas o Povoado do Prata, onde hoje grande parte das casas traz à frente uma placa que indica a presença do artesanato de capim dourado. Nesse contexto, nasceu a Associação dos Extrativistas e Artesãos do Povoado Prata que, assim como as demais associações da região, reflete o rápido crescimento da prática artesanal, antes realizado por apenas 8 artesãs de Mumbuca. Hoje são mais de 200 artesãs envolvidas no trabalho com o capim dourado que se tornou a principal fonte de renda de muitas famílias.
“A estiagem seguia por muitas luasE o capim se sentindo cansadoSeco e sem vidaFez uma oração ao sol, seu paiE pediu que na ausência da mãe chuva,Pudesse ao menos se sentir menos triste.O sol, em compaixão à dor de seu filho,lhe sussurrou um encantamentoque o tornou dourado como o próprio sol!O capim, então, se tornou o ouro do cerradosempre cheio de vida, de brilho, luz! Raquel Lara Rezende”
Sobre o território
O Jalapão é um lugar cheio de encantos, chapadões e serras que compõem a paisagem de cerrado e savana, com gigantescas dunas costuradas por rios e cachoeiras. O nome, Jalapão, vem de uma planta abundante na região, a Jalapa, também conhecida como batata de purga. O povoado do Prata é um distrito de São Félix, o município geograficamente mais central do Jalapão. A comunidade, assim como Mumbuca, também é quilombola, sendo reconhecida pela Fundação Cultural Palmares. Como forma de fortalecer os laços com suas referências culturais históricas, a comunidade tem realizado há alguns anos, em julho, a Festa da Rapadura. A iguaria preparada com o doce da cana é o convite para os moradores e visitantes se deixarem envolver pelos repentes e outras cantorias que celebram com alegria os saberes e costumes do povoado.