No risco da pintura deixada na cuia,nos grafismos que criam uma linguagem tão única,as histórias saltam em forma de narrativas.Brincam com a memória e o presenteque compõem a vida das ribeirinhas de Santarém.Essas mulheres que inspiram e expiram a arte que dá vida ao cotidianoritmado pelo sol que em seu ritual sem começo nem fimbeija as águas do Tapajós e mergulha em seu avesso.
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Sobre as criações
Raquel Lara Rezende
As comunidades ribeirinhas da região de Santarém mantêm viva a arte de produzir cuias ornamentadas tingidas com pigmentos naturais e decoradas com traços incisos. Os traços que ornamentam as cuias são únicos e acabam sendo como uma assinatura de cada artesã. Essa atividade, que compõe o cotidiano das mulheres, marca de forma importante essas comunidades reconhecidas pela preservação de suas tradições e saberes. Os Modos de Fazer Cuias do Baixo Amazonas, no Pará, recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, em 2015.
As cuias estão presentes no dia-a-dia de muitas comunidades indígenas. Elas são os pratos e copos dos indígenas que também reservam em suas casas uma cuia destinada a situações especiais, como no caso de uma visita. É provável que a confecção das cuias tingidas seja uma das tradições artesanais mais antigas presentes no baixo curso do rio Amazonas. Tanto as cuias como outros utensílios domésticos são produzidos com os frutos da cuieira, uma árvore muito presente no Baixo Amazonas.
Sobre quem cria
O trabalho envolveu o registro e retomada dos padrões estéticos produzidos pelos mais velhos, ação de grande importância para a salvaguarda desse saber fazer. Hoje, cerca de 20 famílias fazem parte do grupo e mantêm viva a tradição das cuias.
“No risco da pintura deixada na cuia,nos grafismos que criam uma linguagem tão única,as histórias saltam em forma de narrativas.Brincam com a memória e o presenteque compõem a vida das ribeirinhas de Santarém.Essas mulheres que inspiram e expiram a arte que dá vida ao cotidianoritmado pelo sol que em seu ritual sem começo nem fimbeija as águas do Tapajós e mergulha em seu avesso. Raquel Lara Rezende”
Sobre o território
Em Santarém também se encontra um dos principais pontos de acesso à Floresta Nacional do Tapajós, uma unidade de conservação criada nos anos 1970. A criação da Unidade previu no momento da sua criação a expulsão das comunidades tradicionais que viviam nas áreas demarcadas. Após 20 anos de resistência dessas comunidades, de estudos ambientais e discussões entre o Ibama e os ribeirinhos, foi permitida a sua permanência, em 1994. Hoje, a região conta com projetos de ecoturismo e turismo comunitário que envolvem as comunidades.
Um exemplo é o trabalho desenvolvido junto à Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém pela Artesol e o Ministério do Turismo, entre 2010 e 2011, com a comunidade de Aritapera. Com o propósito de pensar a relação potente do turismo com o artesanato de tradição, ao aproximar as pessoas dos saberes e do modo de vida da comunidade, o projeto buscou construir com a comunidade um modelo de turismo de base comunitária, onde os moradores são os protagonistas. As artesãs se abriram para compartilhar com os visitantes o processo de produção das cuias. Esse contato com as artesãs, seu saber-fazer, seu cotidiano e suas narrativas proporcionam uma vivência única de percepção da realidade local.
Localização
📍 Santarém / PA
Galeria
Crédito da foto: Divulgação