As mãos das mulheres de Coqueiro Campo em contato com o barro ganham asas.
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Endereço: Povoado Campo Buriti, · CEP 39662-970
Sobre as criações
As técnicas utilizadas na produção dos objetos lhes foram passadas pelas mães e avós, muitas de Campo Alegre, comunidade vizinha. Na região conta-se que as antepassadas das ceramistas aprenderam a moldar o barro com as indígenas que viviam na região, fazendo cumbucas para uso doméstico e urnas funerárias.
Sobre quem cria
“Quando eu saí daquiVou saí daqui avoandoÔ beira-mar, adeus dona,Adeus riacho de areia(…)Adeus, adeus, toma adeusQue eu já vou me emboraEu morava no fundo d’águaNão sei quando eu voltareiEu sou canoeiro”
“(…) Quando essa firma chegou, desmataram toda a mata, e o sossego acabou. Milhões de pés de pequi, sem outras frutas falar, foram quebradas e queimadas, sem poder reclamar. Mil qualidades de bichos que nessa mata havia, e nesse acaba-mundo, aqueles bichos morria. E depois que eu cresci, agora não sou criança, não sei se é desabafo, ou é resto de de esperança. Se diz que meu vale é pobre, é o vale da miséria, a pobreza aumentou muito mais do que se era! Enquanto eu existir, uma esperança brilhará, de ver no nosso vale projetos para melhorar. E quando for daqui uns tempos, meu sonho vou realizar: no livro desse vale outra história estará. Deuzani Gomes dos Santos, poeta-artesã”
Sobre o território
Deuzani Gomes dos Santos, poeta-artesã
Campo Buriti é uma comunidade rural do município de Turmalina, Vale do Jequitinhonha, na região nordeste de Minas Gerais. A comunidade fica, mais precisamente no Médio Jequitinhonha, onde se encontra o rio Araçuaí. A região, antes coberta por mata atlântica e habitada pelo povo indígena Aranã, foi ocupada no século XVII pelos vaqueiros que buscavam terras para pastagem. Grande parte da mata foi derrubada e o que ficou no lugar foi o capim colonião e o solo castigado. Hoje, a principal atividade econômica presente no Vale é o cultivo de eucaliptos pelo agronegócio, que tem trazido consequências graves que atingem as comunidades e o ecossistema, como o desemprego, a crise hídrica, e os impactos na diversidade da fauna e da flora locais.
Nesse contexto, as mulheres têm estado cada vez mais ativas na geração de renda para suas famílias, visto que os homens, desempregados, são obrigados a buscar trabalho em outros cantos, passando longas temporadas fora da comunidade. Cabe às mulheres, assim, cuidarem dos filhos, de suas casas, do plantio e de si mesmas.
Localização
📍 Turmalina / MG