da Serra do Mar, Mãe de mil rios,alcanço o céu, desnudo e profundo…mergulho na mata, indomavelmente vivame perco entre suas figueiraspara ser iniciada em seu coração ancestralguarani, kaingang, terena.
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Sobre as criações
A cerâmica produzida no Vale do Ribeira tem origem guarani, etnia indígena presente na região. O lugar permaneceu isolado socialmente e economicamente do restante do estado de São Paulo, até meados do século XX, o que fez com que o saber-fazer ancestral da cerâmica, entre outros, seguisse fortemente presente no cotidiano das pessoas. A produção da cerâmica é feita com a técnica de rolinho, rolete ou cordel. Os rolinhos, feitos a partir da manipulação do barro, são sobrepostos de acordo com o formato da peça que se deseja e depois são alisados com as mãos e ajuda de utensílios. Depois de moldadas, alisadas e secas, as peças são decoradas com a pintura feita de barro, de várias cores, e vão ao forno para queimar.
Sobre quem cria
Nesse sentido, oficinas de produção comunitária foram oferecidas na região e novos equipamentos que trazem melhores condições de trabalho têm sido inseridos, sempre com o cuidado de não interferir nas principais características do artesanato. Essas mudanças incentivam novas gerações de ceramistas, incluindo homens que têm se interessado em participar de todas as etapas da produção. Hoje, são mais de 60 artesãos dos municípios de Itaoca, Barra do Chapéu e Apiaí que se unem, formando o Polo Cerâmico do Alto Vale do Ribeira.
“da Serra do Mar, Mãe de mil rios,alcanço o céu, desnudo e profundo…mergulho na mata, indomavelmente vivame perco entre suas figueiraspara ser iniciada em seu coração ancestralguarani, kaingang, terena.Raquel Lara Rezende”
Sobre o território
O Vale do Ribeira é historicamente uma das regiões mais pobres de São Paulo e Paraná, apresentando baixo índice de escolaridade, emprego e renda, em relação às demais regiões desses estados. As principais atividades econômicas giram em torno da cultura do arroz, café e da banana. Nas últimas décadas, o turismo tem despontado como importante geração de renda e emprego, ganhando mais investimentos do poder público. No Alto do Vale do Ribeira, uma das atrações mais procuradas é o conjunto de mais de 200 cavernas calcárias catalogadas, entre elas as cavernas do Diabo, Santana, Morro Preto, Água Suja e Casa da Pedra.
Na região se encontra o maior número de comunidades remanescentes de quilombos de todo o estado de São Paulo, além de comunidades caiçaras e guarani, o que colore ainda mais o Vale do Ribeira com a diversidade cultural ancestral. São cerca de 80 comunidades caiçaras, cujas vidas se guiam pelos ciclos da Mata e seus recursos. As comunidades indígenas encontram-se em dez aldeias Guarani formadas por famílias dos subgrupos Mbyá e Ñandeva que vivem dentro ou próximas das Unidades de Conservação. Seu modo de vida é marcado pela relação Sagrada com o local que sustenta e constrói a ética com que se relacionam com os recursos naturais. O grupo Arte nas Mãos encontra-se no bairro do Encapoeirado que possui origem quilombola. Na Casa do Artesão de Apiaí, a “Sala das Mestras” marca a homenagem da população às mestras que deixaram a herança cerâmica, tradição que tem sido passada de geração para geração.
Localização
📍 Apiaí / SP
Galeria
Crédito da foto: Camila Pinheiro