O Aió é um cesto com alças criado e utilizado pelo povo Kambiwá há séculos, feito a partir do trançado da fibra do Caroá.
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Endereço: Aldeia Baixa da Alexandra, s/n – Zona Rural, · CEP 56560-000
Sobre as criações
O caroá é uma planta bastante espinhosa, abundante na Caatinga, que precisa ser batida, lavada e torcida até que se chegue na fibra. Também só pode ser coletada de maneira correta e na época certa, para que a planta não morra. O seu processo de beneficiamento é complexo e especial, “um dom”, segundo Rita de Cascia, representante do grupo de Arte Indígena Kambiwá.
E é com esse dom que as mulheres da cultura Kambiwá transformam a palha do ouricuri e a fibra do caroá em cestarias, boleiras, bolsas, passadeiras e luminárias que vem ganhando espaço em feiras regionais e nacionais. Com um conhecimento vasto a respeito das plantas de seu território, também passaram a tingir as fibras com tinturas naturais, criando contrastes com os pontos de trançado tradicionais.
Ainda, o povo Kambiwá apresenta uma diversidade de técnicas reconhecidas, como o entalhe em madeira e o artesanato com barro.
Dona Maria Justa trabalha o barro em seu ateliê e conta que é uma das únicas pessoas que preserva tradição no território, produzindo figuras, travessas, panelas e outros utilitários com formas simples e atemporais.
Sobre quem cria
As técnicas tradicionais também são ensinadas na escola, nas atividades de arte indígena, para que os jovens “vejam na arte uma fonte de renda e de identificação de sua cultura”, de acordo com Rita de Cascia.
“É interessante porque é o valor cultural e afetivo. Não é apenas o bem material, porque é realmente aquilo ali que representa a nossa cultura. Porque onde a gente encontra o Aió, sabe que é origem de Kambiwá. Quando você vê outro povo aqui do nordeste usando Aió, é Kambiwá ou aprendeu com Kambiwá”.Rita de Cascia”
Sobre o território
Tem cerca de 3 mil habitantes, divididos em 11 aldeias politicamente autônomas. Logo na entrada do Território há um Centro Cultural, que recebeu o nome de Juvenal Pereira em homenagem a uma das lideranças mais velhas do povo Kambiwá, que lutou pelo reconhecimento do território junto aos companheiros de sua época. É esse centro que reúne artesãos de 3 dessas aldeias: Baixa da Alexandra, Aldeia 04 e Retomada. Ali realizam eventos comunitários, se reúnem para produzir e expor suas obras.
Localização
📍 Ibimirim / PE
Galeria
Crédito da foto: Bruna Dias